PERDA DE TRANSMISSÃO SONORA EM PAINÉIS FINITOS

PERDA DE TRANSMISSÃO SONORA EM PAINÉIS FINITOS
Devido ao aumento acentuado da população urbana, houve um crescimento contínuo na construção de edifícios, transporte público ou privado como carros, motos, ônibus e aviões em nível global. Assim, o ruído urbano tornou-se um problema importante que afeta a saúde e a qualidade da vida humana.
 
No cenário ambiental atual, a acústica de salas e edificações está direcionada para controlar e manipular as ondas sonoras em um nível desejado. Ou seja, alguns métodos podem ser aplicados para melhorar o conforto acústico de alguns recintos ou produtos.

O fluxo de energia sonora entre duas regiões pode ser reduzido adicionando massa entre elas e/ou fazendo com que a energia seja dissipada na forma de calor, é isso que um painel de absorção sonora faz. Outra forma de atenuação é através da variação da impedância acústica no caminho de transmissão, onde a mudança da secção transversal altera a impedância do fluido, fazendo com que haja dissipação e reflexão das ondas sonoras (silenciadores automotivos e "mufflers" de compressores utilizam essa metodologia). Também se controla o ruído através da utilização de painéis ou partições sólidas como paredes de salas, portas, janelas e clausuras. Neste caso, utiliza-se a chamada perda de transmissão em painéis.
          
A perda de transmissão em paredes ou painéis está inversamente relacionada com o coeficiente de transmissão sonora de um meio ao outro, sendo este termo definido como a razão entre a intensidade sonora transmitida através de um painel e a intensidade sonora incidente. Apresenta-se, na Figura 1, o comportamento da perda de transmissão sonora para painéis finitos ao longo da frequência seguida de uma breve explicação. A linha branca representa um caso comum e a linha vermelha um caso com amortecimento no sistema (tratamento acústico).



Figura 1 – Perda de transmissão sonora em painéis finitos.
 

Em painéis finitos, abaixo da primeira freqüência natural de flexão do painel, a perda de transmissão depende basicamente da rigidez do painel, ou seja, é controlada pela rigidez, conforme mostrado na Figura 1. Já na região próxima à essa freqüência natural, a perda de transmissão é controlada pelo amortecimento estrutural do painel.

Outra região importante para análise da perda de transmissão é a chamada frequência de coincidência. É definida como a frequência em que a velocidade do som no fluido é igual à velocidade das ondas de flexão da placa, fazendo-se com que nessa frequência específica as ondas de flexão na placa tenham o mesmo comprimento de onda do ar, tornando-se uma estrutura irradiadora perfeita. Nesta região, a perda de transmissão é reduzida, pois o painel apresenta uma baixa impedância, além da eficiência de irradiação sonora ser alta nessa faixa de frequência. Observe, na Figura 1, que neste caso a perda de transmissão também é controlada pelo amortecimento da estrutura.
           
Para altas frequências, onde a frequência de interesse é bem maior que a frequência de coincidência, a perda de transmissão depende basicamente da massa por unidade de área do painel. Na região controlada pela massa, há um aumento de 6 dB na perda de transmissão quando a freqüência é dobrada, o mesmo acontece quando se duplica a massa por unidade de área. Ou seja, caso a espessura do painel seja duplicada, o aumento na perda de transmissão será de 6 dB na freqüência considerada.
           
A frequência na qual a velocidade de propagação da onda de flexão na placa é igual a velocidade de propagação da onda sonora no ar é chamada de frequência crítica, acima dessa frequência a perda de transmissão é controlada pela rigidez à flexão do material da placa, cresce 18 dB por oitava (quando a frequência é dobrada) e depende do ângulo de incidência.
           
Mais um detalhe a ser levado em consideração é que muitos painéis são formados pela composição de duas chapas, podendo ter um material de absorção em seu interior, aumentando-se a perda de transmissão deste, a não ser nas frequências ressonantes devido à cavidade. Dessa forma, aproveita-se o fator de variação da impedância para aumentar ainda mais a perda de transmissão do painel.



                                                                                                                                                Ma. Eng. Emanuelle Perini.